Leaf: Dirigimos o carro elétrico da Nissan

08 de junho de 2011


Texto: Célia Murgel

Foto: Silvio Porto

MotorCar teve a oportunidade de dirigir o Leaf, o primeiro carro 100% elétrico produzido em larga escala. Enquanto aguarda incentivos do Governo, será apresentado ao consumidor pelo Brasil.

Nos últimos anos, muito se falou sobre os veículos elétricos, carros ecologicamente corretos, emissão zero, etc. E vários países saíram na frente e já aderiram a esses veículos. O Nissan Leaf, por exemplo, é comercializado em grandes mercados como Europa, Estados Unidos e Japão. E quando MotorCar foi convidada para dirigir o Leaf, carro elétrico da Nissan, em São Paulo, imaginamos que em breve estaria nas concessionárias da marca no Brasil. Ledo engano. Durante a coletiva de imprensa, soubemos que os modelos estão no Brasil, neste primeiro momento, apenas para demonstração. E que o teste drive organizado pela Nissan em parceria com a TSO Brasil, rodará as principais cidades do Brasil.
De acordo com a Nissan, o Leaf é o primeiro carro 100% elétrico produzido em larga escala. E diferente de outros veículos equipados com motor de combustão interna, o sistema de transmissão do Leaf não possui tubo de escape e, portanto, nenhuma emissão de CO2 ou outros gases de efeito estufa. Desenvolvido com chassi movido a bateria de íon de lítio, o motor CA síncrono gera 107 cavalos e torque de 28,5 mkgf. E o mais interessante é que o proprietário do Leaf não precisa ir ao posto de combustível para recarregar a bateria. Basta plugar o cabo na tomada da garagem de casa. Mas tem que estar aterrada.
A bateria pode ser recarregada completamente em 8 horas, em uma tomada de 220 volts, ou ainda ter 80% de carga em apenas 30 minutos, utilizando um carregador de 400 volts.  Se a tomada for 110 volts é preciso ter paciência, pois a recarga total demorará 21 horas. Em qualquer situação, com uma única carga a autonomia do Leaf é de 160 km.  A bateria íon de lítio contém uma garantia de oito anos ou 160.000 km.  E a bateria é o item mais caro do Leaf. De acordo com a Nissan custa a metade do preço do carro. E quanto custa o veículo? Se colocado a venda já, no Brasil, seu preço seria tabelado em R$ 160.000 (caro demais), por não existir ainda incentivos fiscais para a produção de veículos elétricos no País. Nos Estados Unidos, por exemplo, custa cerca de US$ 33 mil.
A única coisa que o motorista precisa se acostumar é que o Leaf, por ser elétrico, não emite nenhum barulho de motor ligado. Piso no freio e aciono o botão de partida. Nenhum som do motor. Apenas uma música e as luzes se acendendo. Um carrinho verde no painel é sinal de que podemos partir. A alavanca de câmbio lembra um joystick. Para a frente R (Ré) e para trás D (Drive) e Eco. Muito fácil. E toda a carga da bateria é controlada no painel, como se fosse o quadro do marcador de combustível. Aliás, o ícone é uma bomba de abastecimento com um fio de tomada.
E quem pensa que carro elétrico anda devagar, se engana. De acordo com a Nissan, o leaf atinge a velocidade final de 144 km/h. Durante o teste drive realizado em São Paulo, não conseguimos atingir a máxima anunciada, mas percebemos que o carro é ágil e responde muito bem. Pode ser dirigido no D, normalmente, ou no Eco (para uma direção mais ecológica). E precisava ser “mais” econômico? A direção é bem macia. Uma coisa interessante é que quanto mais você dirige no modo Eco, mais arvorezinhas aparecem no painel. E ele pode ser mais econômico numa descida se o motorista não descer com o pé no freio. Isto porque o sistema consegue transformar a energia gerada pela movimentação das rodas em energia elétrica devolvida para as baterias.
No interior, conforto para quatro pessoas. Além de zero de nível de ruído, não há nenhuma vibração e isso faz uma grande diferença para os ocupantes. O Nissan LEAF é oferecido em dois modelos: SV e  SL. O LEAF SL inclui um aerofólio com painel solar fotovoltaico que suporta recarga de bateria de 12v para acessórios de carro, farol de neblina, faróis dianteiros automáticos, tampa do bagageiro e mais. O sistema de Navegação Nissan, XMÒ Satellite Radio (XMÒ exige assinatura, vendido separadamente) e o Sistema de Telefone Hands-Free BluetoothÒ são itens de série. O LEAF SL vem com Monitor Retrovisor e Transceptor Universal HomeLinkÒ que também são itens de série. O painel é moderno, e não poderia ser diferente para um modelo com a sua filosofia. A mistura do creme nos bancos com o preto dos painéis é bem interessante para um veículo apenas para apresentação. Para o dia-a-dia não é nada prático. O painel digital inclui um velocímetro, indicador de temperatura da bateria, medidor de energia, medidor de energia restante, indicador de nível de capacidade, um display de autonomia e Eco indicator.
O design agrada. Na dianteira, destaque para o grande conjunto ótico, para o capô que segue o desenho dos faróis e para o pequeno compartimento localizado atrás do logo da Nissan. É ali que estão localizadas duas tomadas fêmeas para a energia ser armazenada nas baterias. O motorista poderá “abastecer” em locais próprios, como já existem em outros países, como o da foto da matéria, ou utilizar o kit para recarga que se encontra dentro de uma mochila no porta-malas que poderá ser usado em qualquer tomada aterrada. Os faróis dianteiros dividem e redirecionam o fluxo de ar dos retrovisores externos, reduzindo o ruído do vento. Os faróis dianteiros consomem cerca de 50% da eletricidade de faróis de halogênio convencionais.
O desenho da traseira também chama a atenção, principalmente pelo diferente desenho das lanternas, bem finas e na vertical, do teto até quase o final da tampa do porta-malas. Há um detalhe que chama a atenção no teto, entre a antena e o brake light – é a placa fotovoltaica para converter a luz solar em energia elétrica para alimentar os equipamentos. Bem interessante. Luz solar até em automóvel… O vidro traseiro é amplo, oferecendo boa visibilidade durante a condução do veículo.
O Leaf é um hatch médio e mede  4,45 metros de comprimento, 1,77 metros de largura, 1,55 metros de altura e 2,70 metros de entre-eixos. Conta com pneus 205/55 R16 e pesa 1.531 kg. Bom, dirigir o Leaf é uma experiência bem interessante para o consumidor, principalmente se for daqueles preocupado com o meio ambiente, com emissão zero… Mas vale destacar que na Usina de Itaipu,em Foz do Iguaçu, um grupo de engenheiros iniciou, em 2006, o projeto “Veículo elétrico” e desenvolveram 54 carros Fiat 100% elétricos, que rodam em seu interior. Isso significa que o  “elétrico” não está tão longe assim como muito consumidor pensa. Precisa apenas de incentivos do governo.


Ficha técnica
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Ficha Técnica Nissan Leaf

Motor: dianteiro, transversal, elétrico

Potência: 107 cv (80 Kw) a 2730 rpm

Torque: 28,6 mkgf entre ) e 3500 rpm

Bateria: íons de lítio, 48 módulos de 4 células

Câmbio: transmissão direta

Suspensão: independente, McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira

Freios: disco ventilado na dianteira e disco sólido na traseira

Direção: elétrica

Dimensões:

Comprimento – 4,45 metros

Largura – 1,77 metros

Altura – 1,55 metros

Entre-eixos – 2,70 metros

Pneus: 205/55 R16

Peso: 1.531 kg

Autonomia: 160 km

Velocidade máxima: 144km/h

Recarga:

110 volts – 21horas

220 volts – de 8 a 12 horas

440 volts – 30 minutos para reter 80% de sua capacidade máxima

4 comentários

  1. Enio Barros Cerqueira comentou:

    É isso mesmo Celia, mas infelismente o Brasil esta muito atrasado neste pensamento de incintivo fiscal, o governo qué cada vez mais impostos para tapar buracos ou verdadeiros rombos no orçamento, o meio ambiente fica em segundo plano!!!
    Mas que sabe nós tenhamos este prazer um dia de comprar carros ecologicamente corretos a preços acessiveis, não custa sonhar!!!

  2. Anya comentou:

    Com o Pre-sal então… o governo quer é faturar em cima do petroleo.. não quer saber do meio ambiente não… todos os politicos tem ações na Petrobras e querem continuar faturando com isso…

  3. rui otavio ribeiro correia comentou:

    achei ótima a idéia de implantar um carro 100% eletrico no brasil, no caso o nissan leaf, que precisaria de incentivo fiscal por parte do governo federal, por causa do do seu alto preço, mas a minha opinião é´que se ja existe um projeto no brasil de um carro 100% eletrico, em foz do iguaçu, porque o governo federal não incentiva primeiramente este projeto nacional? porque acredito que seja de um custo mais baixo e valorizaria um projeto nacional.

  4. Axel Ivale Menezes comentou:

    Bom ninguém lembra do GURGEL ITAIPU. A muito tempo atras e esquecido por todos. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, este sim era um visionário, não deixaram prosperar, no Brasil somente sobrevive as multinacionais.

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